Boca de Lobo

  • Postado por Ran

Agora, entre meu ser e o ser alheio, a linha de fronteira se rompeu

Aonde a pele preta possa incomodar
Um litro de Pinho Sol pra um preto rodar
Pegar tuberculose na cadeia faz chorar
Aqui a lei dá exemplo: mais um preto pra matar
Colei num mercadinho dum bairro que se diz pá
Só foi meu pai encostar pros radin tudin inflamar
Meu coroa é folgado das Barra do Ceará
Tem um lirismo bom lá, louco pra trabaiar
Num toque de tela, um mundo à sua mão
E no porão da alma, uma escada pra solidão
Via satélite, via satélite
15% é Google, o resto é deep web
Na guerra do tráfico, perdemo vários ente
Plano de saúde de pobre, fi, é não ficar doente
Está por vir, um louco está por vir
Shimigami, deus da morte, um louco está por vir
Véio, preto, cabelo crespo
Made in Favela é aforismo pra respeito
Mondubim, Messejana, Grajaú, aqui é sem fama
Nos ensinamentos de Oxalá, isso é bacana
Na porta do cursinho, sim, docim de campana
LSD, me envolver, tem a manha
Diz que é contra o tráfico e adora todas as crianças
Só te vejo na biqueira, o ativista da semana

La La Land é o caralho, SP é Glorialândia
Novo herói da Disney é Craquinho, da Cracolândia
Máfia é máfia e o argumento é mandar grana
Em pleno carnaval, fazer nevar em Copacabana
1 por rancor, 2 por dinheiro
3 por dinheiro, 4 por dinheiro
5 por ódio, 6 por desespero
7 pra quebrar a tua cabeça num bueiro
Enquanto isso a elite aplaude seus heróis
Pacote de Seven Boys

Nem Pablo Escobar, nem Pablo Neruda
Já faz tempo que São Paulo borda a morte na minha nuca
A pauta dessa mesa coroné manda anotar
Esse ano tem massacre pior que de Carajá
Ponto 40 rasga aço de arrombar
Só não mata mais que a frieza do teu olhar
Feito rosa de sal topázio, és minha flecha de cravo
Um coração que cai rasgado nas duna do Ceará
Albert Camus, Dalai Lama
A nós ração humana, Spock, pinça vulcana
Clarice já disse, o verbo é falha e a discrepância
É que o diamante de Miami vem com sangue de Ruanda
Poder economicon, cocaine no helicopteron
Salário de um professor: microscópicon
Papiro de papel próprio, letra com sangue no olho de Hórus
É que a industria da desgraça pro governo é um bom negócio
Vende mais remédio, vende mais consórcio
Vende até a mãe, dependendo do negócio
Montesquieu padece, lotearam a sua fé
Rap não é um prato onde cê estica o que cê quer
É a caspa do capeta, é o medo que alimenta a besta
Se três poder virar balcão, governo vira biqueira
Olhe, essa é a máquina de matar pobre
No Brasil, quem tem opinião, morre

La La Land é o caralho, SP é Glorialândia
Novo herói da Disney é Craquinho, da Cracolândia
Máfia é máfia e o argumento é mandar grana
Em pleno carnaval, fazer nevar em Copacabana
1 por rancor, 2 por dinheiro
3 por dinheiro, 4 por dinheiro
5 por ódio, 6 por desespero
7 pra quebrar a tua cabeça num bueiro
Enquanto isso a elite aplaude seus heróis
Pacote de Seven Boys

 

Written by Criolo / Daniel Ganjaman / Nave

F.U.B.U

  • Postado por Ran

Primavera Facista

  • Postado por Ran

[Bocaum]
Idolatrando fascista, apoiando a tortura
E o povo manipulado quer te por no poder
Eu sou a guerra civil, não temo sua ditadura
E se alguém tem que morrer, então que morra você
Cês falam em nome de Deus, mas são diabo
E o seu conceito de família, anda atrasado
Sou Marielle e mestre moa
Eu vim da lama lapidado, pique diamante de serra leoa
Eu tô aqui, meu sangue ferve na verve do caos
E a minoria que eu sou, não faz parte dos maus
Tem ódio em ver o filho do pedreiro se formar
Porque seu pai pagou 10 anos de facul particular
E você segue sendo nada, mas fala demais
Eu também luto pro passado e pros meus ancestrais
Tenho aversão à homofobia, fascismo e messias
Eu sou pequeno e na pedrada eu derrubo os golias
Vocês mataram 30 mil e alguns deles são meus
Cês tão profetizando votos igual fariseus
Que não acaba com esse vai e vem sansara
E os pensamentos tão mais sujos que seu próprio pau de arara

[Leoni]
Querem provar do meu veneno então segura
Arregaçando mentes sem dar margem pra sutura
Cê pode ter dinheiro, mas se não tiver leitura
E só mais um cara rico cagando em nossa cultura
Cê jura
Que a viatura me enquadra porque eu sou suspeito
Tortura é o que fazem comigo dentro dos becos
A essa altura é o diabo no divã
4 horas da manhã e a polícia injuriando mais um preto
Porra cês são racistas, cês são fascistas
Ou cês tão comendo merda pra votar nessa hiena
Pau no cu do ibope
Foda-se a bope
Dá o Brasil pro hip hop que nós resolve o problema
Os mesmos buchas que votaram no boçal
Nunca passaram mal na mão dos verme na favela
Fala que preto não procria?
Respeite as minhas origens, minha mulher e o filho que eu tive com ela
Cê num entende de economia (não, não)
Só racismo e xenofobia
Fechadão com ator pornô, Rita Lee te caguetou
Que num passado bem recente curtia pederastia
Vai acabar com a regalia?
Mano, que que você tá falando?
Sua marra é de ditador
Tá mais pra mamador
Mamando em nossa teta há mais de 28 anos

[Adikto]
Pf7 - primavera fascista isso não é um teste!
JBS - pagou o churrasco do PSL
Pf7 - primavera fascista isso não é um teste!
JBS- Jair Bolsonaro safado, conhece?!

Vocês tão mal de professor, de história
As aula que você matou, de história
As fake news do face que tu embarcou
Te contou caô e tu acreditou na história
Você acha que eu não sei, os motivos
Pelo qual você quer votar nesse cara
Ele diz tudo que você quer dizer
Mas sua consciência diz: Não fala!
Agora teu malvado favorito
Tá representando bem teu preconceito
E pra você amigo bolsominion
Tem 17 bala endereçada pro teu peito
Falou que a facada é culpa do PT
Mais uma teoria da conspiração
Mas se a bancada da bala liberasse as PT
Teu corpo agora estaria num caixão
Acha que ser gay é coisa que se ensina
Falou que Haddad criou até um kit
Minha irmã é gay e me ensinou a tratar as mina
E de pequeno já brinquei de Hello Kitty
Nem por isso virei viado, viado
Se fosse por convivência parceiro, já tinha virado
Tua homofobia não te faz mais macho
A heterossexualidade é frágil
A sua ignorância contamina
Essa doença resulta em carnificina
Fascismo é um vírus que se dissemina
Informação é a cura e o rap a vacina!

[Axant]
Melhor já ir se acostumando, agora é guerra porra
Esses racista incubado dão gás pra minha luta
A pele preta e o passado cê não enterra, Corra
Tempos difíceis onde o amigo mostra sua conduta
E ele disse o que você pensa e não diz né
Agora é minha vez de falar o que penso
Tá preocupado com futuro do país, né?
Vomita raiva baseado no bom senso
Ódio gera ódio, e mais ódio
Onde vai chegar?
A resistência ainda vive aqui gueto!
Quer minha liberdade vem aqui buscar!
To vendo o quanto você é limitado
Pro azar desses burguês, eu to tipo besouro
Esquiva na ginga, corpo fechado
E esse protesto propagado em coro
O rap é arma cara, se depender de mim
O bozo não viverá
Muita revolta vira
Eu nem preciso olhar pra frente pra poder enxergar
Não diga que não avisei, esse falso messias não é salvação
Não diga que não avisei, quando o cenário for de revolução
Eu fico puto, porque pra mim cê parece cego
Essa colônia fede mais que decomposição
Luta de classe, manipula essas peça lego
1984 te apresento o grande irmão
E a gente segue na desordem e retrocesso é fato
A história grita a muita tempo cê não quer ouvir
Cês seguem apoiando esse capitão do mato
Pela cultura é vida ou morte me chame zumbi

[Mary Jane]
Me vejo entre as multidões no fundo poço
Faço parte da maioria, mas só me resta o osso
Não põe nas nossas costas, se você só dá desgosto
Anota no seu bloco: Nós somos seu melhor gozo
Educação abandonada
Quer que saúde pública seja privatizada
Vem de argumento falho, mulher mal remunerada
Homofóbico, racista isso sim é fraquejada
Presente de grego
Lobo na pele do cordeiro, vão ver quem grita primeiro
Se não bota a cara pra bater
Em todo sentido é dos que pede arrego
Tempos de guerra
Eles, Mussolini, nós, Marighella
Resistência nós somos teresa de benguela
Fabricam armas produzem guerra
Fala que preto não se prolifera
Desordem impera
Tamanha ignorância
Se olha no espelho, não enxerga a semelhança
Alimenta a maldade
Estatística aponta
Promete falsa segurança
Quero ver se eu tô de peça
E resolvo fazer cobrança
Promete falsa segurança
Quero ver se eu tô de peça
E resolvo fazer cobrança

[Vk]
Meus manos morrendo e vocês não vão fazer nada até quando, hein?
Vão ignorar nós até quando, hein?
Vê o sangue de quem que tá jorrando
É, não surpreende nem um pouco nenhum de vocês tá ligando
É o baile e as bruxa tão solta
Pro rap cês são uma vergonha
Cês ama um racista pra ficar na sombra
Pro rap cês são uma vergonha
Cês cagam na porra da história!
E cê percebe que o inferno impera
Quando a dívida histórica
Fica maior que a dívida interna
Me assusta de ver
Nós só se foder
Enquanto vocês
Judeus beijando o pé de Hitler
Não é a solução, é a causa fei, tá tudo errado
A corda no pescoço e cê acha engraçado
Do fundo do poço, cês vão me ouvir alto
Faltam só 2 meses pra 64

[Dudu]
Não vai andar comigo se apertou confirma
A renda mensal e a pele, pra vocês é o que confina
Vota em fascista e é fã de rima
As armas que nos protegem são pagas com dinheiro da sua branca fina
Sua branca fina sarrando na glock, e cê fala
Demais, então vou cuspir na sua cara
Que no fim de semana seus filhos tão na senzala
E um aviso, na ditadura não existe fp do trem bala
Primeiro vez que eu vejo o alvo ir de encontro a flecha
Fecha a porta e ora pra no chão não ser seu filho
Se Jesus voltasse, cês matava ele de novo
E chamavam de comunista por pensar demais no povo
Bozo, seu nome é uma piada pareada a trauma
Mas não reflete seu medo na vida dos outros
Se a nossa vida depende dele mandar ou não
Entre a escravidão e a morte, eu escolho ser morto

 

Written by Adikto / Axant / Bocaum / Dudu / Leoni / Mary Jane / Vk Mac

Inácio da Catingueira

  • Postado por Ran

Eles vão fazer de tudo para que você reaja
Se você responder a um palavrão com outro palavrão, eles só vão ouvir o seu
Ouse responder a um soco com outro
Eles vão dizer: Ó lá, o neguinho perdeu a cabeça, eu disse que ele não servia para isso
O inimigo e seus lacáio vem com tudo, joga sujo
E você não pode simplesmente reagir com a mesma baixeza
A gente ganha mostrando em campo, correndo, marcando
Nosso povo precisa de gol, de virar o jogo, não de polêmica
E alcançamos a vitória fazendo isso em campo, não batendo boca fora dele
Ganhamos se o mundo se convencer de duas coisas
Que você é um bom cavalheiro e é um ótimo jogador
Zica, vai lá!

Laboratório Fantasma 2018

Atraio câmeras, takes, tipo tragédias
Efêmera fama era fake e esses comédia
Focado num padrão, tipo o DEIC, com inveja
De quem vem sem patrão, sem padrinho, sem média
Vim classe, black tie, check, tio
Adubo e o rap sai no finesse igual Black Rio
No impasse, a track vai, muleque viu
Tudo que um black faz dá estresse – compete frio
De rima epidêmica à tese acadêmica
Nome da década, cada passo, uma polêmica
Dos cabeça de escravo até a militância anêmica
Minha trajetória é real, a de vocês é cênica
Cínica, cômica, quer alvoroço
Precisa dos preto fudido com grilhão no pescoço
Pois o gueto só é real se tiver roendo osso
Cadê os neguim que devia tá no fundo do poço?
E eu sou patente alta, bigode grosso
A favela no peito e o condomínio no bolso
Excelência em pauta, longe do fosso (entendeu?)
As mente incauta num digere o caroço
Mas foda-se, desci pra pista
Com um Nike pra cada merda que o Lobão diz
E eles diz que eu sou comunista
Cês num precisa de palco, precisa de analista
Eu vim da Rinha e sem talco, berço dos terrorista
Mandando bronca, tô pra destronca
Tombei tantos que quase viro Emicida Conká!
Se eles arma bloqueio, a gente saca, pra desmontar
Por que eu num respondi os otários? Digo agora, bom, tá
Num país onde os politico diz o que diz
Essas porra de diss pra mim é igual Bee Gees
Fofinho, querendo confete
No fim das conta é a mema merda
Só o sistema brincando de marionete

Baguio não tá manso
Nóiz contra nóiz num é nada mais que adiantar o trabalho dos ganso
Que mete alerta vermelho se o gueto tem avanço
Ternos de 15 mil? É sério, tio? Já pego ranço
Debates no Face? Eu num faço questão
Com uma mixtape, fiz minha primeira revolução
Nas cabeça igual lace, prestenção
Só no Fashion Week, nóiz empregou uma preta pra cada textão
Verdade por si só repele
Dom, meus drama vira som, saca? Tipo Adele
Cês vem com estilo da Veja, ideia MBL
Se sua banca se vale disso, foda-se ela e eles
Eu jogo na calma, que a vida apruma
Camuflado na noite igual puma
Passando a visão graúna
Quem diz que eu vendi minha alma
Descende de quem dizia que eu nem tinha uma
Me chama de arrogante
Porque a vitória dum semelhante pus verme
É um barato humilhante
Quer dar minha cabeça pro seu senhor pôr na estante?
Esqueça!
Cês vai morrer coadjuvante
Que aqui é Ready to Rumble, fi
Gentil, mas com uma metranca na manga, tipo Bumblebee
Vivendo confortável e pã
Pensando: Qual capitão do mato vai caçar like com meu nome amanhã?

 

Written by Emicida

Gentle On My Mind

  • Postado por Ran

It's knowing that your door is always open
And your path is free to walk
That makes me tend to leave my sleeping bag
Rolled up and stashed behind your couch

And it's knowing I'm not shackled
By forgotten words and bonds
And the ink stains that are dried up on some line

That keeps you in the backroads
By the rivers of my memory
And keeps you ever gentle on my mind

It's not clinging to the rocks and ivy
Planted on their columns now that bind me
Or something that somebody said
Because they thought we fit, together walking

It's just knowing that the world
Will not be cursing or forgiving
When I walk along some railroad track and find

That you're moving on the backroads
By the rivers of my memory
And for hours you're just gentle on my mind

Though the wheat fields and the clothes lines
And the junkyards and the highways come between us
And some other woman's crying to her mother
'Cause she turned and you were gone

I still might run in silence
Tears of joy might stain my face
And the summer sun might burn me 'til I'm blind

But not to where I cannot see
You walking on the backroads
By the rivers flowing gentle on my mind

You dip your cup of soup, back from a gurgling
Crackling caldron, in some train yard
Your beard a roughening coal pile
And a dirty hat pulled low across your face

Through cupped hands 'round the tin can
I pretend to hold you to my breast and find

That you're waiting from the backroads
By the rivers of my memories
Ever smiling, ever gentle on my mind


Written by John Hartford

Quer photoshop melhor que dinheiro no bolso?

  • Postado por Ran

Daqui de Mali pra Cuando, De Orubá ao bando
Não temos papa, nem na língua ou em escrita sagrada
Não, não na minha gestão, chapa
Abaixa sua lança-faca, espingarda faiada
Meia volta na Barja, Europa se prostra
Sem ideia torta no rap, eu vou na frente da tropa
Sem eucaristia no meu cântico
Me veem na Bahia em pé, dão ré no Atlântico

[Emicida]
Eles querem que alguém
Que vem de onde nóis vem
Seja mais humilde, baixa a cabeça
Nunca revide, finja que esqueceu a coisa toda
Eu quero é que eles se-!

Eles querem que alguém
Que vem de onde nóis vem
Seja mais humilde, baixa a cabeça
Nunca revide, finja que esqueceu a coisa toda
Eu quero é que eles se-!

(Nun-nun-nunca deu nada pra nóis, caralho, caralho, caralho)
(Nun-nun-nunca lembrou de nóis, ca-ca-caralho, caralho)
(Nun-nun-nunca deu nada pra nóis, caralho, caralho)
(Nun-nun-nunca lembrou de nóis, ca-ca-caralho, caralho)

[Drik Barbosa]
Sou Tempestade, mas entrei na mente tipo Jean Grey, xinguei
Quem diz que mina não pode ser sensei?
Jinguei, sim, sei, desde a Santa Cruz, playboys
Deixei em choque, tipo Racionais: Hey boy!
Tanta ofensa, luta intensa nega a minha presença
Chega! Sou voz das nega que integra resistência
Truta rima a conduta, surta, escuta, vai vendo
Tempo das mulher fruta, eu vim menina veneno
Sistema é faia, gasta, arrasta Cláudia que não raia
Basta de Globeleza, firmeza? Mó faia!
Rima pesada basta, eu falo memo, igual Tim Maia
Devasta esses otário, tipo calendário Maia
Feminismo das preta bate forte, mó treta
Tanto que hoje cês vão sair com medo de bu-uh
Drik Barbosa, não se esqueça
Se os outros é de tirar o chapéu, nóis é de arrancar cabeça

[Amiri]
Mas mano, sem identidade somos objeto da história
Que endeusa herói e forja, esconde os retos na história
Apropriação há eras, desses tá na repleto na História
Mas nem por isso que eu defeco na escória
Pensa que eu num vi?
Eu senti a herança de Sundi
Ah tá, não morro incomum e pra variar, herdeiro de Zumbi
Segura o boom, fi, é um e dois e três e quatro
Não importa, já que querem eu cego eu tô pra ver um daqui sucumbir (não)
Pela honra vinha Mandume
Tira a mão da minha mãe!
Farejam medo? Vão ter que ter mais faro
Esse é o valor dos reais, caros
Ao chamado do alimamo: Nkosi Sikelel, mano!
Só sente quem teve banzo
(Entendeu?) Eu não consigo ser mais claro!
Olha pra onde os do gueto vão
Pela dedução de quem quer redução
Respeito, não vão ter por mim?
Protagonista, ele preto sim
Pelo gueto vim, mostrar o que difere
Não é a genital ou o macaco que fere
É igual me jogar aos lobos
Eu saio de lá vendendo colar de dente e casaco de pele

[Rico Dalasam]
Meme de negro é: me inspira a querer ter um rifle
Meme de branco é: não trarão de volta Yan, Gamba e Rigue
Arranca meu dente no alicate
Mas não vou ser mascote de quem azeda marmita
Sou fogo no seu chicote
Enquanto a opção for morte pra manter a ideia viva

Domado eu não vivo, eu não quero seu crime
Ver minha mãe jogar rosas
Sou cravo, vivi dentre os espinhos treinados com as pragas da horta
Pior que eu já morri tantas antes de você me encher de bala
Não marca, nossa alma sorri
Briga é resistir nesse campo de fardas

(Cêloko Cachoeira!)

[Emicida]
Eles querem que alguém
Que vem de onde nóis vem
Seja mais humilde, baixa a cabeça
Nunca revide, finja que esqueceu a coisa toda
Eu quero é que eles se-!

Eles querem que alguém
Que vem de onde nóis vem
Seja mais humilde, baixa a cabeça
Nunca revide, finja que esqueceu a coisa toda
Eu quero é que eles se-!

(Nun-nun-nunca deu nada pra nóis, caralho, caralho, caralho)
(Nun-nun-nunca lembrou de nóis, ca-ca-caralho, caralho)
(Nun-nun-nunca deu nada pra nóis, caralho, caralho)
(Nun-nun-nunca lembrou de nóis, ca-ca-caralho, caralho)

[Muzzike]
Banha meu símbolo, guarda meu manto que eu vou subir como rei
Cês vive da minha cicatriz, eu tô pra ver sangrar o que eu sangrei
Com a mente a milhão, livre como Kunta Kinte, eu vou ser o que eu quiser
Tá pra nascer playboy pra entender o que foi ter as corrente no pé
Falsos quanto Kleber Aran, os vazio abraça
La Revolução tucana, hip-hop reaça
Doce na boca, lança perfume na mão, manda o mundo se foder
São os nóia da Faria Lima, jão, é a Cracolândia Blasé
Jesus de polo listrada, no corre, corte degradê
Descola o poster do 2pac, que cês nunca vão ser
Original favela, Golden Era, rua no mic
Hoje os boy paga de 'drão, ontem nóis tomava seus Nike
Os vira lata de vila, e os pitbull de portão
Muzzike, o filho de faxineira, eu passo o rodo nesses cuzão
Ando com a morte no bolso, espinhos no meu coração
As hiena tão rindo de quê, se o rei da savana é o leão?

[Raphão Alaafin]
Canta pra saldar, negô, seu rei chegou
Sim, Alaafin, vim de Oyó, Xangô
Daqui de Mali pra Cuando, de Orubá ao bando
Não temos papa, nem na língua ou em escrita sagrada
Não, não na minha gestão, chapa
Abaixa sua lança-faca, espingarda faiada
Meia volta na Barja, Europa se prostra
Sem ideia torta no rap, eu vou na frente da tropa

Sem eucaristia no meu cântico
Me veem na Bahia em pé, dão ré no Atlântico
Tentar nos derrubar é secular
Hoje chegam pelas avenidas, mas já vieram pelo mar
Oya, todos temos a bússola de um bom lugar
Uns apontam pra Lisboa, eu busco Omonguá
Se a mente daqui pra frente é inimiga
O coração diz que não está errado, então siga!

[Emicida]
Dores em Loop-cínio, os cult-cínio, quê?
Ao ver o Simonal que cês não vai foder
Grande tipo Ron Mueck, morô muleque? Zé do Caroço
Quer photoshop melhor que dinheiro no bolso?
Vendo os rap vender igual Coca, fato, não, não
Melhor, entre nóis não tem cabeça de rato
É Brasil, exterior, capital interior
Vai ver nóis gargalhando com o peito cheio de rancor
Como prever que freestyles, vários necessários
Vão me dar a coleção de Miley Cyrus
Misturei Marley, Cairo, Harley, Pairo, firmeza
Tipo Mario, entrei pelo cano mas levei as princesa
Várias diss, não sou santo, ímã de inveja é banto
Fui na Xuxa pra ver o que fazer se alguém menor te escreve tanto
Tô pelo adianto e as favela entendeu
Considere, se a miséria é foda, chapa, imagina eu
Scorsese, minha tese não teme, não deve, tão breve
Vitórias do gueto, luz pra quem serve?
Na trama conhece os louro da fama
Ok, agora olha os preto, chama!

[Emicida]
Eles querem que alguém
Que vem de onde nóis vem
Seja mais humilde, baixa a cabeça
Nunca revide, finja que esqueceu a coisa toda
Eu quero é que eles se-!

Eles querem que alguém
Que vem de onde nóis vem
Seja mais humilde, baixa a cabeça
Nunca revide, finja que esqueceu a coisa toda
Eu quero é que eles se-!

(Nun-nun-nunca deu nada pra nóis, caralho, caralho, caralho)
(Nun-nun-nunca lembrou de nóis, ca-ca-caralho, caralho)
(Nun-nun-nunca deu nada pra nóis, caralho, caralho)
(Nun-nun-nunca lembrou de nóis, ca-ca-caralho, caralho)

 

Written by Raphao Alafin / . Amiri / Drika Barbosa / Rico Dalasam / Leandro Roque De Oliveira / Muzzike Phill Terceiro / Rafael Tudesco


É mais do que fazer barulho e vir retomar o que é nosso por direito/ Por eles continuávamos mudos, quem dirá fazendo história, ter livro feito/ Entenda que descendemos de África e temos como legado ressaltar a diáspora de um povo oprimido/ Queremos mais do que reparação histórica, ver os nossos em evidência/ E isso não é um pedido/ Chega de tanta didática, a vida é muito vasta pra gastar o nosso tempo ensinando o que já deviam ter aprendido/ Porque mais do que um beat pesado é fazer ecoar em sua mente o legado de Mandume/ E no que depender da minha geração, parça, não mais passarão impunes

— Mel Duarte

Eu e você sempre

  • Postado por Ran

Logo, logo assim que puder vou telefonar,
Por enquanto tá doendo,
E quando a saudade quiser me deixar cantar,
Vão saber que andei sofrendo.

E que agora longe de mim,
Você possa enfim, ter felicidade,
Nem que faça um tempo ruim,
Não se sinta assim, só pela metade.

Ontem demorei pra dormir tava assim sei lá,
Meio passional por dentro,
Se eu tivesse o dom de fugir pra qualquer lugar,
Ia feito um pé de vento.

Sem pensar no que aconteceu,
Nada nada é meu (nem meu), nem o pensamento,
Por falar em nada que é meu,
Encontrei o anel, que você esqueceu.

Aí foi que o barraco desabou,
Nessa que meu barco se perdeu, 
Nele tá gravado só você e eu. (2x)

Logo, logo assim que puder vou telefonar,
Por enquanto tá doendo,
E quando a saudade quiser me deixar cantar,
Vão saber que andei sofrendo.

E que agora longe de mim,
Você possa enfim, ter felicidade,
Nem que faça um tempo ruim,
Não se sinta assim, só pela metade.

Ontem demorei pra dormir tava assim sei lá,
Meio passional por dentro,
Se eu tivesse o dom de fugir pra qualquer lugar,
Ia feito um pé de vento.

Sem pensar no que aconteceu,
Nada nada é meu (nem meu), nem o pensamento,
Por falar em nada que é meu,
Encontrei o anel, que você esqueceu.

Aí foi que o barraco desabou,
Nessa que meu barco se perdeu, 
Nele tá gravado só você e eu. (5x)


Written by Jorge Aragão/ Flávio Cardoso

Maçã do rosto

  • Postado por Ran

Que é isso, preta
Não faça isso não
Não, não, não não
Esse seu chamego é bom demais
Para o meu coração

Me ame devagarinho
Sem fazer nenhum esforço
Tô doido por seu carinho
Pra sentir aquele gosto
Que você tem na maçã do rosto

Vem morrer nesse beijo
Que eu vou te dar
Por você meu desejo aumentou
E pode me matar


Written by Djavan

Don't Call Me Baby

  • Postado por Ran

Stop trying, don't you see the look in my eyes?
And stop begging, can't you see I've run outta lies?
Stop showing up at my favorite restaurant
And dropping by my work saying you just wanna talk

Don't call me baby
Don't call me baby
Anymore

Stop running baby cause you've run outta time
(Stop running baby cause you've run outta time)
And stop asking, you know all the reasons why
(Stop asking, you know all the reasons why)

Stop staring through me like you know who I am
(Stop staring through me like you know who I am)
When you don't know me, you don't know me, barely knew me then
(You don't know me, you don't know me, you don't know me you don't)

And don't call me baby
Don't call me baby
Anymore

Hey, hey, hey
Walking away now, walking away now baby
Oh baby
Hey, hey, hey
Walking away now, walking away now baby
Oh baby

Don't call my number
Don't call me over
Don't call me baby
Anymore

What you gonna do my love?
What you gonna do?
What you gonna say this time?
What's your excuse?
When you gonna break my heart?
When you gonna break?
Nobody hurts like you

Stop staring through me like you know who I am
When you don't know me, you don't know me, barely knew me then
(You don't know me, you don't know me, you don't know me you don't)

And don't call me baby
Don't call me baby
Anymore

Hey, hey, hey
Walking away now, walking away now baby
Oh baby
Hey, hey, hey
Walking away now, walking away now baby
Oh baby

Don't call my number
Don't call me over
Don't call me baby
Anymore
 

Written by Andrew Alphonse Van Dorsselaer / April-Cheyne Coates / Duane William M. Morrison

bluesAndJazz

  • Postado por Ran